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Os animais são os melhores amigos do homem infelizmente o contrário não é verdade.... e ainda assim eles amam-nos incondicionalmente.


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Maria a Joia da Família


 

A Jóia da Família.

Tal como a maioria dos meus animais a Maria veio porque… Há sempre uma razão ou um conjunto e acontecimentos que nos levam à introdução de mais um membro na família.

Com a Maria também foi assim.

Quando passei a viver com a Minha Cara-Metade resolvi levar comigo a minha Cocker Spaniel preta a Poussy, que tinha uma filha muiiiito loirinha, coitadinha, de seu nome Marquesa.

A minha preta ficou radiante, adorava andar de carro e ser a estrela da companhia por isso aquilo é que era vida. Casa nova, donos só para ela, ó pá…. que maravilha…..no entanto a filha morria de saudades da mãe e chorava, chorava o dia todo, a minha mãe estava a ficar preocupada e os vizinhos a ficar pelos cabelos….bom tivemos que reajustar as coisas e a minha preta foi devolvida a casa dos meus pais. E eu comecei a achar que a minha casa não era uma casa como eu estava habituada, eu tenho cães desde os quatro anos, ou seja não me reconheço sem um ao meu lado… podia dar-me para pior, comecei a dizer à MC-M que me fazia  impressão entrar na minha casa e não haver ali um cão, faltava ali qualquer coisa, sim porque para quem sabe, um cão faz muita falta…  Como a MC-M é de tropeçar constantemente em pessoas e situações e conhece este mundo e mais metade do outro, passados uns dias chegou-me a casa com uma coisa deliciosamente tímida, com olhos verdes, corpo branco  decorado com umas manchas douradas. Uma Épagneul Breton com cerca de dois meses, tinha uma pequena cicatriz na cabeça de tanto brincar com os irmãos o que fez com que se transformasse num saldo. Et voilá! Tropeçou na MC-M. Quando a agarrei pela primeira vez virei-a de barriga para cima e comentei “Olha, outra Maria…” e assim ficou para o resto dos seus dezasseis anos.

Não houve ninguém que a conhecesse que não tivesse ficado com uma recordação boa. A minha avó achava que eu exagerava um bocadinho sempre às voltas com os animais mas a primeira vez que a viu, sentou-se na sua cadeirinha e com um ar enternecido agarrou-lhe o focinho e disse-lhe “Tu devias chamar-te Jóia, como o melhor cão de caça do meu pai, era assim igualzinho a ti e tão esperto como tu.” Esperta foi, mas ficou Maria. A Maria usava um lenço de seda vermelho, antigo que eu descobri no fundo de uma gaveta, fazia-lhe um laço largo que caía e só lhe faltava a boina e o pincel para parecer um pintor. Tinha uma personalidade muito vivaça, meiga mas senhora do seu nariz e por isso foi dada a algumas aventuras, umas correram bem, outras nem tanto, mas ainda assim completou 16 lindas primaveras. Andava comigo para todo o lado. Eu trabalhava num escritório na altura e dava aulas à noite. Quando estava no escritório almoçava no restaurante que ficava no rés-do-chão, a Maria entrava escondida num casaco e depois ficava no chão debaixo da mesa, dentro ou em cima da minha mala, cresceu mas portava-se sempre tão bem que até o senhor do restaurante ajudava a que ela entrasse sem que ninguém desse por isso. Não gostava muito de comer e foi magrizela até tarde e quando não havia ninguém no restaurante o senhor costumava ir para o pé de nós e perguntava sempre pela razão de tal magreza, que eu explicava, “não liga muito à comida…” E ele começou a fazer-lhe uns pratinhos maravilhosos nas tigelas de barro dos gelados, com arrozinho branco em coroa… um bifinho cortadinho… enfim um prato todo decorado que a minha menina devorava deixando-me ficar mal no retrato…. Mas ele rematava sempre, "tem que se saber agradar a uma princesa. Não lhe serve qualquer arroz com frango…" e era mesmo isso. Um dos muitos dias em que fui dar aulas à noite e que não tive tempo de deixar a Maria na avó levei-a para a escola. Deixei-a no carro e estacionei perto do portão mas do lado de lá da rua. Fui dar aulas e de vez em quando ouvia o barulho do alarme de um carro, (achava eu), não liguei. Quando saí o porteiro estava encostado ao meu carro. “Então Professora, não ouviu o seu carro a apitar? Esta menina… amanhã se a trouxer tem que deixar o carro ao lado da portaria se não passo a noite toda ao frio!....” E isto porque a madame não podia ficar sozinha e a primeira vez que se empoleirou no volante para ver se podia sair pela greta do vidro, a buzina tocou, o homem assustou-se e foi ver o que se passava, claro está, assim que o fez uma vez, foi o resto da noite, assim que se afastava ela tocava a buzina e só saia dali se ele estivesse junto ao carro a falar com ela.

Uma noite fomos ao aniversário de um primo que tinha uma casa maravilhosa, com uma decoração muito cuidada e, claro, não costumava ter cães dentro de casa. Quando lá cheguei pedi desculpas mas não tinha tido tempo de ir deixar a moça a casa. A minha prima olhou para ela e disse - mas tem que se portar bem! A Maria, para regalo de todos os presentes, sentou-se ao lado da lareira com o seu lenço de seda e esteve ali o tempo todo. Quando passava alguém por ela, se lhe fazia festas ela dava a pata e ali esteve sem eu sequer ter de me ralar com ela. E claro, acabou por ser a estrela da companhia, toda a gente passava por ela e dizia sempre qualquer coisa ou fazia uma festa que ela aceitava com um ar muito compenetrado. Enfim passado uma hora era como se sempre tivesse feito parte daquela decoração e a minha prima veio-me dizer “ela até fica ali bem…-

Ir a casa da Tia Paula era sempre uma festa, adorava a Tia Paula, saía do carro e disparava na direcção da porta subia as escadas a correr e …. Melão, só quando chegava lá a cima, mesmo à porta é que se lembrava “ ó poças ela tem aqui um gato…. “e coitada, depois da felicidade suprema inicial tinha que ficar congelada atrás de mim sem mexer um bigode porque era certinho. O Fritzz estava lá e assim que pudesse dava-lhe.

Era uma miúda com muita personalidade, se eu quisesse ir a uma loja podia entrar deixa-la à porta, ficava com um ar muito comprometido e nem queria que falassem com ela, era realmente bem comportada na cidade… em compensação se a levávamos para a praia arranjava sempre maneira de descobrir um amigo quase sempre maior que ela que quase matava com tanta correria. Quando ia à rua fugia e fazia-me andar por entre os carros estacionados a jogar à rabia, só aparecia meia hora depois. E quando nos mudamos para a casa no campo, bem aí as aventuras começaram...

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